26/09/2012

Penso enquanto abaixo a cabeça,
você nem desconfia que estou aí,
Olho pro chão, longe e frio,
você tem certeza que não estou nem aí

vem devagar,
desça, pule, cáia,
salgada, tão grande e minúscula.
tão dolorida quanto descer, pular, cair.

Escrito ao som de All You Need Is Love

24/09/2012

17/09/2012

Ser forte nunca foi seu forte,
Nem bonita, nem triste,
Nunca brigou realmente pelo o que queria

Nunca chorou com vontade,
Nunca soluçou xingando,
Nem lhe faltou ar pra xingar...

Nem saiu chutando brita,
E não deixou de ligar
E de pedir desculpas,

Não conseguia inverter o jogo
Nem jogar sem ser sincera..
Transparente de medo de temer

Nunca suou, nem saiu da linha,
Nem tremeu, só gemeu baixinho,
e soluçou escondida,

E mesmo asim, no auge da sua fraqueza... era admirada por ser forte.


Texto escrito ao som de The bitter end e a song to Say goodbye - Placebo, sugiro que ouçam pra ler.

12/09/2012

Gangorra.

Ela só queria brincar na gangorra,
No sobe e desce da vida ver o horizonte de vários angulos
Sem ter ninguém pra apontar se estava por cima,
ou por baixo,
Só queria curtir sozinha tudo aquilo


Mas na gangorra ninguém brinca sozinha...


Escrito ao som de Glory Box

11/09/2012

Quem mata quem?

Amanheceram bebendo e fumando no pé da praia.. emburrada ela perguntou
-Seja sincero comigo, o que você fez afinal?
-Como assim?
-O que você fez, eu sei que você fez algo grave, nunca ví você com essa cara, há tempo eu vejo isso, você não me engana, conta.
- Ele, que não fumava, pediu um cigarro, abaixou a cabeça e começou a falar, eu transei com você, foi isso.
- Como assim transou comigo, quando?
- Quando você fechou os olhos e sorriu, eu não devia ter feito, mas fiz.
- Tá mas assim, sem mais nem menos?
- É não me segurei
- Porra, pra que isso meu...
- Mas você também não é a mesma, faz tempo, não foi só eu quem mudou.
- Eu sei.
- Então diz aí, não foi só eu né.
- Eu te matei,
-Ham?
-Eu falei pra não transar comigo
- Como assim me matou?
-Eu avisei.
- Quando voê me matou?
- Quando fechei os olhos e sorri.
- Aquele sorriso me chamou.
- Não era seu aquele sorriso
- É, você me matou, e agora?
- Sei lá, termina esse cigarro e mata alguém..



(não, esse texto não tem destinatário, a não ser eu e eu mesmo)

04/09/2012

Deixa assim é melhor não querer entender

Você que não acreditou
Não beijos os pés
Não lavou as mãos
Não sorriu amarelo
Nem se escondeu no banheiro
E nunca criou esperança
Olhou pra trás sem chorar
Achando que tudo era plástico
Sentindo que tudo era falso
Sabendo que tudo era um sonho
Lê, e tenta sem querer se encaixar
Que se encaixa sem querer ler
É a lógica nunca foi quebrada
Quem quebra não bate tão forte
Quem quebra sangra e faz viver.
Sim, tudo fica anestesiado
Nada será lembrado.
Nem aquela mancha branca no seu passado negro
Nem aquela mancha amarela no seu sorriso.

Escrito ao som de Engenheiros do Hawaii - Refrão de um Bolero e Placebo Every You Every Me



27/08/2012

Você é um amigo..
sorrindo com os olhos miudos
Você é um abrigo
filme silencio e braço esticado
Você é perigo
pensando olhos nos dedos ela sorria..

11/08/2012

No fim, como no começo,
Tudo virou uma troca de olhares
Agora com um sorriso razo
E uma cicatriz profunda

02/08/2012

A dois


Ela quis juntar os pés,
Viajar com o rosto no colo
Sentar nas pedras a dois

Quis ouvir música,
Ouvir o mar,
Ouvir o peito respirar

Quis olhar pela janela do onibus
Com a mão dada
Quis sorrir pela décima vez com a mesma piada.

Ele queria as coisas grandes, ele nunca entendeu.

02/07/2012

Poeminha Malandro

Ela chove fácil
Ela choca fácil
Ela chora fácil

Ele senta ereto
Ele nega afeto
Ele estava certo

Ela briga sorrindo
Ela sorri morrendo
Ela morre vivendo

Ele soube a hora
Ele foi embora
Ele nunca chora







Ponto final nem sempre põe fim ao caso.
Ponto final geralmente não está no fim do caso.
Ele sabia muito bem.

28/06/2012

Check Up

Ela verifica todo dia,
Pernas? Lisas, lindas, trançadas. ok.
Cabelo? Arrumadamente desarrumado. ok.
Unhas? Cintilantes anos 80. ok.
Olhos? Brilhantes. ok.
Boca? Vermelha sorridente. ok
Estomago? sem borboletas, ok.
Coração?
Coração?
Seu Filho da puta, sempre você.

27/06/2012

"Nobody Said It was Easy"

Cada cigarro, cada gole, cada passo,
Cada compasso, cada música,
Cada forma, cada suspiro, cada curva da vida...
Cada calçada, cada saída, cada chegada,
Cada madrugada...
o papel o escuro o grito o choro
A inconsciência.
Fotos magníficas de não querer ser o que se é.
De não saber ser o que se é.
Do escuro pra esconder
Do sorriso pra amarelar
Do abraço, vôo rasante nos seus olhos...
Do beijo, maré vazante dolorida...
Fotos magníficas de um esconderijo que não existe mais...
Ela quebrou a máquina,
Mas a máquina nunca pára,
Fotos magníficas ...

(Escrito ao som de Scientist - Cold Play )

26/06/2012

Poeminha sem estética

acorda cedo
toma banho
seca o cabelo
passa o batom
anda depressa
corre andando
anda correndo
trabalhatrabalhatrabalhatrabalha

já faz tanto tempo que essa inércia já não é mais sentida....
enfia o dedo na ferida.
Opa, estou "vivaamém".

19/06/2012

O Drama de Terça, Quarta Quinta Sexta

Nada que um cobertor não resolva
Nada que o banheiro não esconda
Nada que em uma cerveja não escorra
Nada que uma volta na cama na esquente
Nada que uma vida não faça esquecer.
Nada que a calçada não faça lembrar

13/06/2012

Bom dia



na pele, no olho, no ouvido, na lingua
no velho andando no mato
no novo lembrando do tato
o cabelo jogado pro lado

o sorriso, o afago
a mão quieta compreensiva
a lágrima, amiga compulsiva

sentado no banco de trás...
as seis da manhã morri
as seis da manhã sorri
as seis da manhã, "tescrevi"

10/01/2012

Abandono

Apesar de tudo, não te esqueci, blog querido, estarei de volta após um ano, fique tranquilo...

24/11/2010

Sem título.

Meus melhores textos não foram escritos,
Eles gritam aqui dentro e eu não deixo saírem,
Meus melhores textos não foram escritos,
Foram embriagados, gritados, fumados...
Sentaram às seis da matina pra pensar na vida,
em calçadas sujas, em bancos de praças, em morros barrentos, 
eles foram chorados, beijados, foram tocados...
foram vicissitudes do meu esconderijo hedonista,
foram espelhos da minha dor egoísta,
mas nunca foram escritos, nem em verso, nem em prosa,
nem em papel ....nem lousa.
Meus melhores textos nunca foram escritos,
não por auto censura,
mas por sobrevivência meus melhores textos não foram escritos.
e você nunca percebeu

 

24/10/2010

28/07/2010

15/05/2010

Cinza cor de nada.

(O conto é comprido mas tenham paciência, que vale a pena)

Vanusa acordou no frio acinzentado do sul com um leve sorriso no rosto, o próximo passo seria curto, mas doloroso, levantar. O quarto parecia pequeno, mas na verdade era cheio de tralhas, fotos, fitas k7, cds, DVDs, roupas por cima da TV, a TV por cima do som, o som por cima do criado mudo, um caos milimetricamente calculado.
Os cinzeiros cheios indicavam que a noite havia sido comprida.
- Missão cumprida - pensou ela.
Foi até o cinzeiro, encontrou um cigarro pela metade com uma marca de batom, no bolso de uma calça suja jogada no chão tinha um isqueiro, sem levantar acendeu o primeiro cigarro do dia, o gosto da boca já estava ruim mesmo, nada como um cigarro pra acordar, um cigarro no começo da manhã não conseguiria lhe matar, já que a madrugada foi cheia deles.
Levantou, saiu do quarto, o corredor que dava acesso ao banheiro parecia ter o dobro do comprimento normal, o triplo talvez, provavelmente era infinito, a luz e a dor de cabeça não ajudavam muito.
- ressaca filha da puta - pensava consigo enquanto se arrastava até o banheiro.
Sentada no sanitário, fumando, abriu um livro que nunca saía do banheiro, um achado, que lia todo dia de ressaca em que a noite foi verdadeiramente desastrosa e divertida “...Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas...” passava os olhos no texto e sorria confortada sem um pingo de ressaca moral.
Tomou um banho e andou molhada e nua até a sala, passou pelas janelas sem importar muito a vida alheia, e não importando se sua vida importava a eles, queria apenas algo pra beber, de preferência não alcoólico, não agora, garrafas esparramadas pelo chão depunham contra os bons costumes e davam o verdadeiro tom da noite passada.
Seus pensamentos giravam em torno do nada existencial que tinha tornado a sua vida, acordar, trabalhar, beber, foder, esquecer, acordar, um sistemático ciclo incrivelmente atraente, não fosse tão entediante. Os rostos, as conversas, os fiascos se repetiam, as orgias, as drogas e tudo mais passavam a ser metodicamente usadas até tornarem-se uma droga, e a necessidade de fugir da fuga se fazia presente.
Passava toda manhã assim, andando pelo apartamento curtindo o momento, tentando lembrar de alguma novidade da noite passada. se preparando pra viver como uma pessoa “normal” e ir parar o seu trabalho, pregou o ultimo botão do seu terninho cinza cor de nada, passou a mão na chave, na carteira de cigarro e foi-se embora.
Correu até o ponto de ônibus para seguir caminho do seu trabalho, uma caótica corretora de seguros, emprego, que por predileção procurou, gostava de acompanhar o infortúnio alheio, roubos, acidentes, sentia-se, estranhamente atraída por estes assuntos, programas policiais eram seu preferidos, mas não gostava apenas por gostar, acompanhava a reação dos envolvidos indiretamente nos casos, todo o teatro da tragédia humana repetia-se diariamente em todos os lugares e ninguém dava a devida atenção.
Há anos guardava dentro de uma pasta casos e mais casos de acidentes, homicídios, assaltos suicídios e outros sinistros que faziam parte do cotidiano alheio, deixava tudo guardado na gaveta da sua mesa, toda tarde quando chegava no trabalho lia um dos seus casos policiais, ou trazia mais algum para a coleção, guardava novamente e começava a sua labuta diária.
Vanusa trabalhava com mais alguns seres na sua repartição, pessoas que estranhamente não bebiam, fumavam ou corriam pelados bêbados pelo apartamento, casados ou casadas, todos consumidos pela vida, de certo modo, todos, inclusive ela, eram iguais, assim, envolvia-se com seus afazeres do trabalho para o tempo passar rápido e indolor.
Compulsando um processo de aprovação de apólice de seguro de vida deparou-se com um nome que lhe chamou a atenção Loretta Pellegrini.
Loretta Pellegrini era um nome pouco comum, era nova 26 anos, aliás a mesma idade que Vanusa, interesse momentâneo tomou conta de Vanusa, todavia, como era regra da casa logo deixou de lado o interesse e continuou seu trabalho, ficando guardado apenas aquele nome.
Na volta pra casa, como fazia trivialmente comprou sua bebida, sentou na cama tirou os sapatos, bebeu a primeira dose do destilado, passou os olhos no jornal e na última página, no obituário deparou-se com o nome Loretta Pellegrini, o jornal era de 10 de abril de 2007, três anos haviam se passado após a morte trágica, não dormiria aquela noite com a possibilidade de estar diante de uma fraude contra a corretora de seguros, mas não fazia muito sentido, fazer seguro em nome de alguém que já morreu, nenhum sentido, e realmente aquela noite não dormiu antes da quinta dose.
No dia posterior foi trabalhar mais cedo e com mais cigarros nos bolsos, queria desvendar o que estava ocorrendo, abriu as páginas do processo que dizia respeito ao pedido de Loretta, viu e reviu os documentos, pediu ao cartório de registros, informações complementares sobre a pretensa ex cliente talvez. A pessoa que havia morrido em 2007 era definitivamente a mesma pessoa que estava contratando a apólice de seguro.
Vanusa hesitou em delatar o caso ao seu superior, a curiosidade da morbidez do caso lhe tomou o corpo e o tempo, queria saber mais sobre Loretta, quem seria esta moça, e porque estaria usando um nome alheio, resolveu ligar para o telefone constante do cadastro.
Uma voz pouco amiga atendeu do outro lado.
- Alou?
- É da parte da senhorita Loretta Pelegrini?
- Depende.
- Do que?
- Várias coisas...
- Sei de tudo Loretta.
Fez-se o silêncio.
- Hum.... você sabe de tudo, e deve saber também que estou morta, vai fazer o que? Me matar, processar, prender? Estou morta querida tenha bom senso, mortos não sofrem com coisas da vida.
- E não fazem contratos em seguradoras.
- Alguns, não tome meu tempo, o que você quer afinal.
- Saber quem é você.
- Você já sabe, sabe de tudo aliás.
- Não o bastante.
- O que mais você quer saber, negue o pedido de seguro e pronto.
- Gosta de vinho?
- é para os fracos.
- whisky?
- Falamos a mesma língua querida.
- às 20:00 no Bar ao lado da matriz, vou estar de cinza.
- sou ruiva e estarei de preto, luto, sabe como é né?
- imagino, não deve ser fácil morrer.
- nem um pouco, beijo querida, gostei de você, vou gostar mais de perto.
O telefone desligou, Vanusa nem sequer sabia por que havia feito aquilo, quebrou o equilíbrio de uma vida calculadamente entediante, tomar um whisly com uma estranha já morta, caralho, nunca tive uma idéia tão absurda.
No outro dia o som do telefone quebra o silêncio do apartamento de Vanusa.
- Alou.
- Não quis beber um Whisky comigo querida?
-...
- Me liga, me surpreende, mas não teve coragem de me encontrar, quanto medo em uma pessoa só.
- medo eu teria se vivesse com outro nome.
- será medo ou coragem? É fácil morar sozinha em um apartamento frio e cinza. subir escadas com a mesma mecanicidade habitual, colocar uma blusinha velha e andar de calcinha ... bebendo até dormir, seu jeitinho de louca nunca me enganou Vanusa, mudando a cor dos cabelos sazonalmente, fumando freneticamente e gritando aos sete ventos nua que está stoned.
- o que você quer?
- meu whisky.
- você já bebeu.
- não gosto de ser observada enquanto bebo, não desce bem.
- não pareceu.
- já que você gosta de observar, vou beber no mesmo lugar a mesma hora hoje, quem sabe você tome coragem, ou chame a polícia, apareça.
O estrago já estava feito, pensou em milhares de possibilidades, mas ela já sabia de sua vida particular, e de seus gostos e desgostos na vida.
A angustia lhe consumia e assim passou o dia, pensando se deveria continuar em frente, andar pelo caminho desconhecido ou parar, denunciar, viver sua vida, alcoolicamente entediante, de viver por viver, andar como um morto fazendo peso no mundo, por mais angustiante que fosse a nova situação, ela era nova, e isso importava muito.
Passou mais um dia de trabalho com a mente afundada em pensamentos acerca do encontro noturno, saiu do escritório, correu até o seu apartamento, trocou de roupa, tirou o terninho cinza cor de nada, foi ao local do encontro.
O bar ao lado da matriz contrastava com esta, a matriz era grande, duas torres laterais, pintura nova, escadaria a frente, uma porta que dividia-se em duas, enorme, e na lateral direita, quase nos fundos da igreja, uma ruela quase carreiro que dava de encontro ao bar.
Pequeno, fachada de cimento, suja, porta e piso de madeira quase podres, os baleeiros escondiam o dono do bar sentadinho, com a camisa branca, já quase bege de sujeira com um pano de prato no ombro, era tão pequeno por fora aquele bar, mas por dentro esticava-se até onde a intimidade necessitava.
O balcão verde claro em frente da porta, era comprido e dava de para o fundo do bar, nas paredes escuras cobertas de cartazes antigos ficavam encostadas mesas do lado esquerdo do lado direito ficava o balcão formando um corredor, preferiu a cadeira logo na entrada do bar, perto da porta, que ficava perto da rua, e de frente para os fundo que dava acesso a um salão.
O bar estava vazio, encostou-se no balcão e pediu.
- Olá, um Marlboro vermelho, um cinzeiro e uma dose de whisky.
- O Whisky é cortesia da casa – retrucou o dono do bar, e continuou – ele está desde ontem te esperando aqui.
Pegou a bebida e o cigarro e foi até a mesa mais perto da porta, sentou, hesitou, arrumou o cinzeiro, cruzou as pernas, hesitou, acendeu o cigarro mas não bebeu o Whisky, tragou profundamente, levantou a cabeça, soltou a fumaça, quando abaixou a cabeça lá estava Loretta, sentada nos fundos do bar, com o copo de Whisky pela metade, apagando um cigarro no cinzeiro.
Loretta era ruiva natural, com pele extremamente branca como a de Vanusa, usava um terninho e saia pretos.
O terninho estava aberto e mostrava um corset vinho, usava salto Luis XV e óculos escuros, no dia anterior ela não parecia tão bonita, até porque ficou espiando-a do lado de fora.
Loretta fez um sinal com o copo virou o resto da bebida, logo em seguida foi servida de outra dose pelo dono do bar.
Vanusa engasgou-se na própria admiração, travou, não bebeu o Whisky, ela que nunca negara bebida, estava extasiada com a presença daquela estranha, tentou disfarçar o desconforto travaram uma batalha de olhares, Loretta tirou os óculos, tinha olhos castanhos, redondos e grandes, levantou-se em veio em direção de Vanusa, que fugiu em direção da saída.
Andou a passos ligeiros até seu apartamento, pensando em tudo o que tinha acontecido, e pensando em Loretta, ela era linda, estava confusa, nunca tinha sentido atração por alguém do mesmo sexo, nunca tinha sentido tanta atração na verdade, quando chegou no apartamento o telefone estava tocando;
- Oi
- Aquilo foi medo?
- Confusão.
- Está confusa?
- Uma moça tão linda sem saber o que fazer?
- sim.
- eu vou aí lhe ensinar o que fazer.
- espera!
O telefone desligou. Ela não sabia mais o que esperar nem o que sentir, medo, alegria, angustia, uma mulher linda viria ao seu apartamento e isso estranhamente estava lhe agradando, mas ela mal sabia quem era aquela mulher, nem seu nome verdadeiro, nem porque usava um nome falso. Nada fazia sentido.
Bebeu um gole dos grandes de um copo de Whisky da noite passada e esperou fumando no lado da porta.
Minutos depois escutou um grito, abriu a porta, Loretta subia o último lance de escadas com o rosto coberto de sangue, desfigurado, veio adentro e caiu morta no meio da sala do apartamento de Vanusa que fechou a porta e apagou a luz.
- Caralho - ela pensava no escuro – agora faço o que, vão achar que eu matei a morta, nem ao menos eu sei o nome dela, nem porque ela morreu.
Passou a madrugada sentada no seu sofá preferido, bebericando e fumando pensando no que fazer, se chamasse a polícia, seria presa, se fosse embora seria presa, se fosse presa teria uma vida nova, mas nem um pouco agradável.
- Quem diabos teria coragem de arrancar a pele do rosto de alguém?
Pegou a bolsa de Loretta e achou vários documentos, de três pessoas pessoas, Loretta Pellegrini, Maria Clarice Silva e Vanusa Gomes, todos com a mesma foto, a dela.
- Filha da mãe, falsificou documentos com meu nome, talvez quisesse me matar e usar meu nome, e agora eu posso ser acusada da morte dela.
Vanusa pegou todos os documentos, cartões e passaportes falsos e sumiu.
No dia seguinte a polícia invadiu o apartamento de Vanusa pois havia denuncia de que havia ocorrido um homicídio naquele local, o corpo foi reconhecido como o corpo de Vanusa Gomes, assassinada provavelmente às 23:00 horas do dia anterior.
A pele do rosto e tinha sido arrancada brutalmente, dizia a notícia de capa do jornal, nada justificava aquele homicídio, uma jovem que trabalhou até ás 18:00 horas e voltou logo às 21:00 horas para fazer hora extra não merecia morrer assim, declarava seu chefe ao jornal.
Mais uma morte incompreensível nas noticias de jornal fariam parte da coleção de recordes de Vanusa que acompanhou de longe seu velório e chorou ao ver seu corpo descendo ao sepulcro.
Um ano depois, Maria Clarice Silva retirou o prêmio da apólice de seguro de Loretta Pellegrini e Vanusa Gomes, e nunca mais foi vista.

02/05/2010

N . O

a passos lentos engoliu o nó...
a lágrima deu o ar da graça, efêmera...
ninguém sabia o que tinha a atingido
o cigarro satisfazia a fuga de cinco minutos...
tira o dedo daí que eu corro
não tira o dedo daí que eu morro
mas tira só pra ela respirar

17/03/2010

Uma ode a falta de criatividade

Uma ode a falta de criatividade.
Uma ordem da falta de criatividade.
Que desordem e falta de criatividade.
Que a desordem me tire da opacidade.
Que dez ordens não oprimam minha vivacidadeamém.

02/03/2010

Clichê pra você.

Te beijo te sinto te sugo te sigo e sorrio...
Grudo, te cheiro e caminho assim... como paz, como brisa
como pai, como amigo-irmão, amante então...
Te beijo te sinto te abraço te esquento nos braços...
Te beijo e desejo o abraço de quem fica... assim como quem vai...

:D

21/02/2010

A língua

A língua é o chicote da bunda
A língua é o chicote da vulva.
Há míngua de chicote e vulva
A íngua é o fricote da vulva.
Há ginga no fricote da puta.
Me xinga de fracote e chuta.

02/02/2010

No fundo tem um mundo.
no meio um receio.
Abriu-se pra não mais ver.
Fechou-se pra sair
abriu se pra entrar
Sorriu pra não chorar
No fundo foge ao mundo
No fundo só de perto é o mundo...

20/09/2009

Menino Clichê.

Nunca sonhou muito alto, não por medo da cair, mas ser feliz não era difícil, bastava apenas ser. Se a noite esfriasse ou esquentasse demais apenas precisava de um refúgio, talvez uma rodoviária, com cigarro e comida gordurenta, não nesta seqüência exata.
Nunca foi saudável, pulmões pro cigarro, fígado pra bebida, e os rins para indicar o local exato do pecado.
Ser feliz bastava apenas ser, bailar pela terra sem ao menos saber porque, andarilho do mapa do próprio destino.
Com as mãos no bolso e com receio de viver sem cigarro ela andou mais uns metros até seu destino, 6 e 15 da matina violência contra o corpo, mais um dia se perguntando porque não tomou o café e não penteou os cabelos, com a resposta exata na ponta da língua tinha que chegar a tempo no bar para comprar cigarro, fumar dois ou três, e ir trabalhar
Da maneira que as coisas iam seu estômago ia dar sinal de vida novamente, mais um dia sem café da manhã, well, foda-se, o dia não estava valendo aquele café, a ressaca era contínua e homérica, as portas do inferno em que trabalhava estava mais longe.
Aquele inferno pagava as contas, e algumas vezes pagava muito bem, loja de roupas, convencia-se cada vez mais que bukowski estava certo quando dizia ter “ a impressão que as pessoas que não pensam muito sempre vão parecer mais jovens por mais tempo”, aquelas senhoras que entravam e ficavam horas escolhendo uma blusinha, aquelas senhoras que nem ao menos rugas tinham, gastavam o equivalente ao seu salário em alguns poucos minutos sorrindo, definitivamente elas não pensavam.
Assim ia a manhã, bajulando velhas acéfalas, enfim, tudo isso parece uma revolta adolescente de uma menina que não se deu bem na vida e almoça em um sebo empoeirado porque é romântico ou freak.
Os dias eram assim, acordar, fumar, vender, comer, fumar, vender, fumar, voltar, dormir.
Mas aquele, nos passos curtos da cidade cinzenta, nicotina no canto da boca, couro aberto no peito... nem olhou, nem a viu, ele passara assim, como uma lembrança de m passado bom e não vivido, nem olhou pra trás, nem mexeu o cigarro, parecia flutuar em um par de all star, cabelos quase longos, quase arrumados, barba quase feita, quase uma paixão a primeira, quase, mas a vida continua baby, trabalho, conta, cigarro, noite, dia inferno céu, assim ele passou... imune ao mundo.
A tarde passou rápida, as roupas e toda a sua indústria de acéfalas não a corroeram como antes, e já concordara que sem as acéfalas não existiriam os colls, os losers, o rockers, os freaks, era o mundo girando, as existências co-dependiam, o bem e o mau, o capitalismo e o comunismo, tudo no seu devido lugar, assim, fácil de aceitar, novamente, ser feliz não era difícil, bastava apenas ser.
Ficou gravado na mente o momento do encontro que levantou sua alma da entediante rotina, todos os detalhes, o olhar fixo e castanho, o all star surrado, fumando Malboro, calça surrada o mais elo clichê que já passou por seus olhos.
Resolveu voltar ao mesmo lugar, no mesmo horário e talvez, soubesse pra onde iria aquela figura enjaquetada e imune ao mundo.
No dia seguinte tudo foi extremamente calculado, a roupa, os sapatos, o cabelo o perfume, o cigarro a “la james Jean” ou “ a la Sharon Stone”?
O olhar ao passar por ele, os passos treinados, chamar atenção e ser discreta, tudo era tão difícil quando se dá a devida importância, mas ela se perguntava se ele poderia ser o primeiro amor, um caso de sua mente, ou apenas uma ébria noite de luxúria do corpo com formas refletidas no espelho morrendo no amanhecer? Um pouco de hedonismo não faz mal a ninguém.
Com a mente fervilhando a manhã passou em uma hora, o almoço era próximo, as mãos gelavam, talvez fosse amor, ou apenas suspense de um conto qualquer, não foi ao sebo ouvir Marisa Matarazzo enquanto comeria, foi ao ponto de interrogação,e lá encontrou a mesma figura, agora de camiseta, cabelo preto, descobriu um par de costeletas, um clichê que andava sobre os próprios pés no sentido contrário da vida.
Ela o seguiu até uma pastelaria chinesa com cara de poucos amigos, sentou-se, na frente dele, queria ser notada, queria estuda-lo melhor, a pastelaria parecia ser saída de um filme, poucos falavam português fluente, o cheiro de azeite das frituras ficariam nos seus cabelos perfumados por algumas longas horas
Ele tirou um pequeno livro do bolso, menos mal, gosta de ler, difícil era reconhecer o que era lido, e entre uma mordida e outra do pastel foi descobrindo mais, e principalmente que o misterioso menino clichê era mais misterioso ainda, a dificuldade lhe aumentava o tesão.... uma noite de luxúria entre espelhos seria pouco..
Pensou em uma atitude desinibida, ser fatal, mostrar sua tatuagem, falar das suas pequenas descobertas da vida e onde ficavam os melhores sebos e brechós, não, calma. Me apaixonei ? ou Não? A linha entre a atração e a paixão é tênue, fatal.
Enquanto pensava no que dizer, como dizer, porque dizer e quando dizer, dono de si ele levantou-se pagou a conta, percorreu alguns metros até a calçada e sumiu junto com a fumaça do seu cigarro.
Descompassada e desconcertada, como uma criança na frente do velho Noel ela apressou-se em espantar a multidão com as mãos e correr com os olhos, mas como dono de si era rápido e sumiu entres aqueles que guerreavam contra a vida sem perceber.
Passou-se mais alguns dias cinzas, com roupas diferente diariamente, fazendo a corte e mantendo a distância, e decidiu que não era mais tesão, muito menos paixão, era questão de honra, anos treinando, fazer o corpo ser como a mente, diferente, e não ser ao menos percebida?
Precisava saber mais daquele que errava pelos caminhos da vida, sem ao menos mexer os lábios pra fumar, ou pelo menos saber seu destino após o almoço.
Como uma questão de honra deve ser resolvida, diariamente aquele desconhecido fora perseguido, mas nunca chegava a lugar algum, uma vez que seu almoço tinha limite de tempo, assim, como a vida, a angustia lhe cobria as tardes imaginando qual seria o destino do menino clichê, talvez um vocalista de alguma banda de um cenário alternativo, mas pela seriedade talvez trabalhasse com o problema alheio, ou seria apenas um junkie que curtia almoçar naquela espelunca?
Pintor, cantor, escritor, ofice boy, ele podia ser qualquer coisa...e com a mente cheia de idéias que chegavam a lugar nenhum, como a sua busca andava rápido para alcançar seu objetivo sem ao menos saber o que faria quando soubesse o destino daquele, fixou o olhar no seu objetivo pisou no asfalto sentiu o corpo errar o chão e logo após acertá-lo.
Deitada ali, sem saber o que acontecera olhava aquela jaqueta de couro indo embora, sem ao menos olhar para trás, ouvia apenas as lamurias do motorista que havia lhe atropelado, sirenes, correria, alguns se debruçaram sobre seu corpo, mas aos poucos se afastaram, diziam que não tinha mais jeito, todos se afastaram, as sirenes se calaram, um lençol branco cobriu o seu rosto, era o fim.
Fechou os olhos e ficou esperando o inferno, o céu, a eternidade, a verdade sobre a vida e a morte, pensando no que ficou, desesperada.
Colocaram seu corpo em uma mesa fria, tiraram o lençol, e lá estava ele, o menino clichê, de jaleco, sério barba por fazer, com bisturi na mão, técnico em necropsia... enfim descobriu o segredo do menino clichê, era técnico em necropsia, por isso, talvez, fosse sério... assim no seu ultimo momento, acompanhando seu corpo, frio, duro e inútil ela ouviu sua voz...
Desculpa lindinha, mas esse é meu serviço...
cortando seu peito

11/09/2009

Destrua tudo que eu não construí
por inépcia, preguiça ou inércia,
Tudo que eu não corri atrás e não lutei
com toda a minha falta de garra e a minha ganância quase nula
Destrua
Destrua tudo que eu lutei pra não ter,
que eu ignorei..
Elegantemente
Destrua tudo

Começo frio

Sem tempo para o tempo. Começo frio o dia. Que corre pra noite e atrapela o sol. Chamando a chuva caindo ao caos. Começo frio o dia. Que corre pelo ralo e voa num escarro. Sem tempo pra lamentar começo frio o dia. Que esquenta e afujenta a noite. Que chama a chuva nos fazendo começar frio o dia.
Aí.
Começo frio o dia.

03/07/2009

Você sabe conversar?

O caminho parecia longo, já era madrugada, uma estrada.. asfalto grama verde no caminho.
Lá estava eu, com minha calça Jeans, tênis e olhos atentos à primeira propaganda de cigarro,
Sim, já faziam falta, e isso iria quebrar a minha certeza de finalizar aquele caminho incerto.
Caminhos incertos devem ser percorridos com cigarros à mão, sim..., grandes companheiros, grandes traidores, a madrugada acaricia meu rosto, e meus olhos inexplicavelmente ferviam com a falta de luz, sim, inexplicavelmente, não conseguia entender aquilo, coloquei o capuz cinza, surrado na frente dos olhos e andei mais alguns metros
À direita havia um terreno grande, de chão batido vermelho, dava a real impressão que o sol do final de tarde havia se instalado em cima daquele terreno, a terra era de um vermelho misterioso, na esquerda havia uma casinha simples de tijolos.. com cortinas que cobriam qualquer possibilidade de saber o que acontecia ali dentro, luzes amarelas dentro, sombra de pessoas, barulhos, vozes...
Nos fundos do terreno ví uma cobertura, mesinhas de bar e uma mesa de sinuca pequena.
Aahhh Sr. Bar, as mesas de sinuca te entregaram... apesar da hora já avançada eu tinha esperança de achar nicotina, talvez pilha para o meu aparelho de som que me embalava no caminho incerto.. quem sabe com pilhas extras eu chegasse ou final ouvindo um Black Sabath, Vulgue Tostoi.. quem sabe a trilha inteira de músicas que eu idolatrava.. quem sabe...Pink Floyd welcome my son, welcome to the machine.
Dei o primeiro passo dentro do terreno, era silencioso e vazio, apenas vultos, sombras, mas nada macabro, senti-me acolhido.
Não sabia de onde vinha de qualquer maneira não sabia pra onde ia, onde eu chegasse era lucro, eu traçava uma de linha reta que saía do desconhecido a caminho do desconhecido
Entrei no bar, havia uma atendente, loira, antipática e eu não conseguia ver seu rosto, não interessava, eu queria meu cigarro, e achei, dei a primeira tragada e me fechei.
“Bem cigarro sou apenas e você”, simpatizo mais com você do que com ela cigarro.
Em minutos várias pessoas começaram a chegar, todas com fones de ouvido, ouvindo alguma coisa eletrônica, comemoravam a madrugada que havia chego talvez, todos simpáticos mas muito desconhecidos.
Entraram no Bar, pediram cerveja falavam alto sobre a música que ouviam, era Psy.
Momento oportuno para ter uma crise da autismo, pedi a dose da droga mais forte do lugar, um senhor veio sorrindo, jaqueta de couro cabelos cumpridos, mal lavados cavanhaque, acho que saiu de um filme americano dos anos 60, “born To be wild” eu pensei, me deu um papel azul pequeno, essa é a mais forte.
Acho que minha cara não agradou, eu esperava um conhaque, talvez vodcka, tenho que parar com as minha frases feitas, a droga mais forte... sem comentários.
O caminho do desconhecido começava a ficar cada vez mais hilário e perigoso.
“Vamos lá rapaz, coloca isso embaixo da língua que eu te acompanho!!”, e com um sorriso estranho no rosto ele frisou, “EU SEMPRE TE ACOMPANHO”.
Coloquei o papel embaixo da língua, e tinha idéia do que vinha na frente.. ele ficou falando de Janis Hendrix Led e me lançou todo o seu saudosismo, meus olhos ardiam mais tive que cobrir mais e mais meu rosto... a falta de luz fazia meus olhos arderem o único lugar que fazia eles pararem de arder era dentro do meu capuz, será que eu tinha definitivamente virado autista? ou era o efeito da droga? acho que era efeito da droga.. eu conseguia ouvir o que se passava dentro dos fones de ouvido das pessoas que circulavam pelo terreno, Deus eu ouvia Psy a metros de distância de dentro dos fones de ouvidos daqueles, quase pedi por favor, mande essa droga parar de fazer efeito ou faça eles trocarem de som, eu tenho um Raul legítimo na minha mochila, é de primeira e não precisa colocar embaixo da língua..
Bebi mais, o homem parou de falar, cores forte, crises autistas, dores, sorrisos quase contidos que vinham de lugar nenhum.
Percebi que a pequena casa em frente ao bar tinha um movimento intenso e uma música diferente, com medo dos efeitos daquilo que eu colquei na boca resolvi me esconder dentro do meu capuz, ali era seguro, fiquei quieto, louco autista escutando o coração bater e as gargalhadas alheias.
O sol resolver sair, lentamente, vermelho, combinando com o vermelho da terra, as dores nos olhos paravam pude tirar um pouco o capuz, paguei minha conta, cobraram o preço certo eu paguei a mais, não conseguia mais contar o dinheiro, falar a andar direito, pedi mais duas carteiras de cigarro.. sabia que não iam durar muito.
Fui até o lado da casa pequena onde havia um tanque com um cano de jorrava água limpa de algum lugar, limpei meu rosto, todos saíram da casa, inclusive várias mulheres com cara de menina.
Sentaram na beira do tanque quase nuas e começaram a se lavar, fiquei sem reação, passei uma noite tendo alucinações, filosofando e com medo da casinha.. e ela ali estava o segredo da casinha, o segredo das quatro paredes.
As mulheres foram simpáticas, sentei no chão, acendi um cigarro e fiquei vendo as galinhas bicarem o chão enquanto saíam mais e mais meninas, eram todas agradáveis, mas uma de olhos claros, magra, que por efeito do álcool, do cigarro, do desejo, da insanidade ou do papel embaixo da língua me chamou pelo nome.
"Nunca esperava encontrar você aqui Mitras", eu sorri quis entrar, mas uma senhora não deixou, “
não alunos não podem entrar na escola de dia, só de noite, “de dia só a alunos”, que porra é essa? Alunos no caminho do desconhecido? Merda eu devo ter dado o golpe nesse caminho e gazeado essas aulas.
Definitivamente a minha madrugada foi estranha, mas eu sobrevivera.
Resolvi que o caminho do desconhecido estava de palhaçada pro meu lado, vou seguir viagem, está um dia bom para andar, mas a Sra. Que não deixou eu entrar na “acolhedora casa” estranhamente me disse no ouvido sorrindo,
"volte amanhã", tenho uma menina de olhos claro que gostou de você, eu olhei rápido para a casa, ela sumiu, “volte amanha, na madrugada rapaz.”.
A única coisa que saiu da minha boca foi "ela sabe conversar?"
Sim sabe, com um sorriso malicioso e uma gigante ironia. Ok eu volto.
Não acredito Mitras, ela sabe conversar?
Que pergunta, cheio de cerveja na cabeça no meio do desconhecido, o que foi isso?
Decôro?
Bem, peguei a estrada, coloquei meu fone de ouvido e segui em frente.. bem... se ela souber conversar quem sabe diga quem é.. se eu achar o caminho de volta é claro.

Esse texto é do blog antigo, como o weblogger fez o favor de sair do ar, sumir, sei lá o que aconteceu e enfiou todos os meus textos em um buraco negro cibernético e eu já me conformei com isso, achei este texto aqui no meu pc, com os pés gelados fiquei faceiro e resolvi que devia respostá-lo, aí está.

22/06/2009

mercearia....

Lá vinha ela, a bolsa embaixo do braço, em silêncio, dizia que estava se preparando para a missa e que precisava ficar em silêncio.
O silêncio dos puros, lá onde o pecado não toca e o inferno não bota medo - dizia ela. Me refiro a dona armazém, Pâmela. Aquele era o único armazém da cidade, entrava muito dinheiro lá, mas ela era sovina, dizia que dali, dinheiro a mais, só para o dízimo.
Corria na boca pequena da cidade que se alguém quisesse saber alguma coisa da cidade ou de algum cidadão era simples, pergunta a dona do armazém, ela sabia tudo de todos.
Solteirona, morena, alta, linda, no auge dos seus 35 anos ainda estava enxuta. Pernas e coxas que deixavam qualquer um louco, recebia flores quase todos os dias, sorria, agradecia, mas não dava chance, seu negócio era Igreja, Bíblia Hóstia e prece, quem seria contra?
Sou pura e vivo só para Jesus e por Jesus – sempre repetia
Já contou de seus namorado, mas relatava também que eram muito abusados, como haveriam de ser diferentes?
Eu sou virgem, pura, intocada e só faço aquilo depois do casamento.
O termo “fazer aquilo” já me assustava, fazer aquilo? Fazer aquilo é sujo, fazer amorzinho, transar, trepar, cometer o pecado original, pelo amor de Deus qualquer outro termo é melhor que “fazer aquilo”, era realmente uma coroa recalcada, não tinha esperanças de brincar naquele corpo.
Causava a loucura nos homens da cidade dizem até que teve alguns que morreram por ela, se entregavam a bebida, e caíam na vida.
Ela por sua vez não se importava, queria ganhar o seu dinheiro e viver a sua vida para Jesus, já que não tinha arranjado ninguém que fizesse as suas vontades, e que fizesse as vontades de Deus.
Eu, como diz a boca pequena era o mais sortudo da cidade, trabalhava na venda dela, emprego que consegui por intermédio da minha irmã, as duas são grudadas, amigas quase irmãs.
E eu o dia inteiro vendo aquelas coxas andando pra lá e pra cá, tudo o que é bom, no caso, ótimo, em seu preço, ela era sovina, mesquinha, meu salário era ridículo, chegava a ser absurdo, descontava o almoço, o café da tarde, não me surpreende ela descontar a luz e a água que eu uso ao trabalhar.
Sorte a minha que eu não tinha filho pra criar, e não me preocupava com dinheiro, o prazer de acompanhar aquelas pernas era maior, doído e doido de prazer esse que vos relata, sem ao menos poder tocar, apenas o cheiro e a imagem, realmente, para mim, ela era intocável.
Apesar de eu trabalhar nos sábados, este era o dia que ela e minha irmã viajavam, diziam que iam em encontros religiosos, religiosamente, ao sábados e duravam no mínimo até segunda cedo, todos os tipos de caridade, preces, pastorais, retiros, encontros de toda sorte que a levariam parar o céu, ou qualquer lugar parecido.
Mas num belo dia de trabalho tive uma rusga com a patroa, que me despediu na hora, saí do meu emprego aos gritos de herege e incompetente, a mesma se descontrolou.
Peguei o dinheiro da saída e na semana no sábado a noite eu fui pra uma cidade vizinha, queria perder minha virgindade, mas não queria esperar meu casamento e pra não dar bandeira fui sozinho em uma zona que ficava distante em uma cidade vizinha, estava disposto a tudo, iria gastar meu último dinheiro em uma zona.
Chegando lá pedi a mais fogosa de todas, falaram que a mais fogosa de todas já viria, Rainha da Luxúria pelos relatos de outros clientes, rezava que a menina sabia da arte, os olhos masculinos do local diziam que ela era uma lenda do local, não saía do quarto, mas fazia os programas mais caros.
Foi essa que pedi, a Rainha da Luxúria, o cafetão fez uma cara feia, coçou o longo bigode amarelado de cigarro, passou a mão na cinta, uma garrucha cuidava da segurança daquele.
Perguntou de eu tinha certeza, se eu tinha cacife, respondi que sim retirei o dinheiro da passagem de volta, e joguei todo o resto em cima da mesa.
Não mentiram, a mais fogosa de todas entrou e acendeu a luz
E lá estava lá, cinta liga vermelha, calcinha minúscula vermelha, sem sutiã, enormes coxas, de pé em cima da cama, uma visão nunca vista por este narrador neófito e para a minha surpresa, a última que eu esperaria, aquele corpo escultural de deixar qualquer um louco, era a minha ex-patroa.
Deu dois passos no quarto disse alguma coisa entre um gemido e vem comigo ante de me reconhecer, jogou-se embaixo dos lençóis, escondeu-se, gritou, ajoelhou, pediu e humilhou-se, ninguém poderia saber do acontecido, ninguém lugar nenhum.
Na segunda logo cedo fiz minhas malas, não falei nada para a minha família, procurei uma pensão para morar, incrivelmente virei administrador do estabelecimento da coroa religiosa da mercearia e sou “noivo” da mesma.
Agora toda Sexta Feira, religiosamente, vou à encontros religiosos.



Texto de 1999, mas refeito em 2009, sim, elel ficou dez anos na gaveta esperando o melhor momento pra sair, pra quem acha que eu sou meio louco, isso aqui é ficção.
abraços.

15/05/2009

[não]

[não] nasceu quando não devia,
[não] cresceu quando não devia,
[não] pensou quando não devia,
[não] sentiu quando não devia,
[não] entrou na noite da vida,
cabeça baixa olhos longos,
passos largos a calçada nem é mais a mesma,
[não] entrou onde não podia,
[não] sorriu fingindo alegria,
[não] viveu por quem não merecia,
[não] morreu quando não devia,
calma, só mais uma cerveja,
[não] bebeu porque queria,
[não] fumou a calmaria

ao som de pink floyd

só pra fazer graça antes de dormir